Perguntas freqüentes
P1. Tem-se escrito muito sobre dieta e todas as formas de câncer. O que dizem
órgãos especializados como a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer sobre
café e câncer?
R.Em 1991, a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC), que é parte da
Organização Mundial da Saúde, classificou o café como “possivelmente
carcinogênico no câncer da bexiga”. Esta classificação foi motivada pela insuficiência
dos dados disponíveis na altura, que não possibilitava maior especificidade. O
relatório também afirmava, contudo, que tomar café pode inclusive contribuir
para proteger contra certas formas de câncer. Isso levou à realização de muitos
outros estudos.
O relatório da IARC incluía dados procedentes de cinco estudos sobre café e
câncer gástrico. Nenhum deles apresentava evidência de uma correlação, e outros
estudos têm confirmado a improbabilidade de o café ter qualquer efeito
significativo sobre o câncer gástrico. Seis estudos que divulgavam dados sobre o câncer
da boca, da garganta e do esôfago foram analisados no relatório da IARC. Nenhum
deles apresentava evidência de uma associação com o consumo de café.
Com respeito ao câncer da mama, o relatório da IARC também não indicava nenhuma
associação com o consumo de café. Esta constatação foi recentemente confirmada
por diversos estudos, entre os quais um estudo italiano envolvendo quase 6.000
casos. De forma análoga, nenhuma relação consistente foi observada entre café e
câncer do ovário, da laringe, dos pulmões, da próstata, cervical, endometrial e
da tireóide, os linfomas de Hodgkin e outros, os sarcomas e os melanomas
cutâneos.
P2. O que se pensa agora sobre café e câncer da bexiga?
R. Desde a publicação do relatório da IARC em 1991, foram realizados vários
estudos sobre o café e o câncer da bexiga. O grande volume de dados produzidos em
vários desses estudos sobre o café e o risco desse tipo de câncer, após serem
levadas em conta outras possíveis causas, exclui claramente uma associação
pronunciada entre o consumo de café e o risco de contrair a doença.
Num estudo recente nos Países Baixos, de que participaram 3.123 pessoas,
nenhuma correlação significativa entre o consumo de café e o risco de câncer da
bexiga foi observada entre os homens, mas entre as mulheres observou-se uma relação
inversa significativa, ou seja, a presença de menor risco entre as que tomavam
café.
Quando nos estudos ocasionalmente se nota uma associação moderada, é possível
que ela tenha a ver com o tabagismo e outros fatores que, como se sabe, aumentam
o risco de câncer.
P3. O câncer intestinal é uma das formas mais comuns de câncer. Existe uma
correlação com o café?
R.Em vários estudos constatou-se que o consumo de café está relacionado com
menor risco de câncer intestinal. Num estudo no Canadá verificou-se que,
especialmente entre os homens, o risco diminuía à medida que o consumo de café ia
aumentando para cinco xícaras por dia.
Outro grupo de estudos revelou uma redução de 28% no risco de contrair câncer
do intestino baixo entre pessoas que tomavam quatro ou mais xícaras por dia, em
comparação com pessoas que tomavam menos de uma xícara. Diversos estudos não
levaram a essa conclusão, mas neles não se deu o devido peso a outros fatores,
como tabagismo e consumo de álcool.
P4. Que razões há para este aparente efeito protetor?
R.Acredita-se que, além de acelerar a passagem dos alimentos pelos intestinos, o
café ajuda a reduzir a produção de ácidos biliares, que, como se sabe,
desempenham um papel ativo na promoção do câncer do cólon. O café também contém
diversos compostos com fortes propriedades antioxidantes (como o ácido caféico e o
ácido clorogênico). Considera-se que os antioxidantes desempenham um papel
significativo na proteção de nossas células e tecidos contra os danos da oxidação.
Outros compostos encontrados no café – como o cafestol e o caveol – têm
propriedades anticarcinogênicas.
P5. Li há alguns anos que o café causava câncer do pâncreas. Isso é verdade?
R.A maioria dos especialistas agora não julga que haja uma correlação. Todos os
estudos recentemente publicados sugerem de modo enfático que não existe
correlação entre tomar café e maior risco de câncer pancreático. Entre esses estudos
podem citar-se o estudo de 14.000 residentes aposentados, o acompanhamento
descrito no Health Professionals Follow-up Study e os casos relatados no Nurses'
Health Study.
Há alguns anos certos estudos indicavam um possível elo, mas em um deles,
quando se levou em conta o tabagismo, a associação com o café não foi considerada
estatisticamente significante. Outro estudo chegou a constatar uma relação
inversa, mostrando que o risco de contrair câncer pancreático reduz-se nas pessoas
que tomam café.
P6. Como tomar café ajuda a prevenir o câncer hepático?
R.Vários componentes do café têm sido relacionados com esse efeito positivo,
entre os quais a cafeína, os óleos do café caveol e cafestol e os antioxidantes do
café, mas não se dispõe de provas definitivas. No entanto, a maioria dos
cientistas concorda em que provavelmente são os antioxidantes do café, em conjunção
com a cafeína, que resultam nesse efeito positivo. Já se sabe que a cafeína
ajuda a proteger contra a cirrose hepática e, considerando o peso da evidência
produzida pelos estudos populacionais, o café parece ter um efeito real na
redução do risco.
P7. Para que o café tenha um efeito benéfico, quantas xícaras eu preciso tomar?
R.A maioria dos estudos publicados nas últimas duas décadas indica uma aparente
redução do risco de câncer intestinal entre pessoas que tomam pelo menos 3 - 4
xícaras de café por dia. Estudos sobre o câncer hepático, por sua vez, mostram
um efeito benéfico depois de apenas 1- 2 xícaras por dia.
P8. Há outros relatórios importantes sobre café e câncer?
R.Num estudo norueguês de que participaram mais de 15.000 homens e mulheres os
autores concluíram: “As constatações mais importantes aqui relatadas são de que
não há uma associação positiva entre tomar café e qualquer causa relevante de
óbito, e de que o café não aumenta de forma significativa a incidência de nenhum
tipo de câncer comum”.
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