Com o início de muitos esportes de verão e os Jogos Olímpicos prestes a
começar, é oportuno nos perguntar que papel as bebidas que contêm cafeína, entre as
quais o café, pode desempenhar na melhoria do nosso próprio desempenho físico.
A cafeína é parte do grupo de estimulantes naturais que se encontram em folhas,
nozes e sementes de diversas plantas. Entre as fontes dietéticas comuns estão o
café, o chá, o chocolate e uma variedade de refrigerantes e bebidas formuladas
para os esportes. O teor de cafeína de vários produtos alimentares é indicado
abaixo.
Tabela 1. O teor de cafeína em vários produtos alimentares
| Produto |
Porção |
Teor de cafeína (mg) |
| Café* |
150 ml |
50-120 |
| Chá* |
150 ml |
15-50 |
| Chocolate (bebida)** |
250 ml |
10 |
| Leite com chocolate** |
50g |
40 |
| Refrigerantes com cafeína |
330 ml |
40-100 |
(Fonte: Maughan 1999)
* Os valores para o café e o chá mostram grande variação conforme a fonte e o
método de preparo.
** Além de cafeína, o chocolate contém teobromina, que, comparada com a
cafeína, tem um efeito insignificante.
Que efeito, portanto, tem a cafeína sobre diferentes tipos de exercício?
Embora o mecanismo pelo qual a cafeína contribui para o desempenho não tenha
sido inteiramente elucidado, há um número considerável de pesquisas que concluem
que a cafeína melhora efetivamente o desempenho físico. O efeito da cafeína
também parece se estender a uma vasta gama de esportes e exercícios. Os estudos,
além disso, são de amplo alcance, tendo incluído atletas bem treinados e pessoas
de ambos os sexos com vida relativamente sedentária, em diversas faixas
etárias.
Uma das resenhas de maior amplitude e mais recentes (Doherty e Smith, 2004)
examinou 39 estudos recentes. Destes, 21 incluíram exercícios de resistência, 12
usaram exercícios de curta duração e grande intensidade e os 6 restantes usaram
um teste de exercícios gradativos.
Os dados desses estudos tomados conjuntamente, em contraste com os de testes
envolvendo placebos, revelaram que a melhora do desempenho com o uso de cafeína
foi de 12,4%, e que o maior efeito foi nas pessoas que faziam exercícios mais
tempo em cada ocasião específica.
Também há diversos estudos que mostram os diversos efeitos benéficos que tomar
café e/ou ingerir cafeína tem sobre os exercícios de grande intensidade. Esses
efeitos incluem melhor desempenho numa corrida de 1500 m (Wiles, 1992), e
Anselme (1992) mostrou que a força anaeróbica melhorou, numa prova de ciclismo, com
a ingestão do equivalente a duas xícaras (250mg) de café cafeinado. O ciclismo
também foi o esporte estudado mais recentemente por Bell (2001), em pesquisa que
mostra que a cafeína (5mg/kg) melhorou o desempenho numa prova de ciclismo de
grande intensidade.
O efeito benéfico também foi demonstrado em testes de natação. Collomp (1992)
mostrou que num teste de natação (2x100m) houve melhor desempenho depois da
ingestão de 250 mg de cafeína.
Que quantidade de cafeína surte efeito?
Pequenas quantidades de cafeína (1-2mg/kg) foram usadas em estudos recentes. Em
muitos estudos usou-se café, enquanto que em outros usou-se cafeína. No
entanto, todos mostraram que pequenas quantidades de cafeína bastam para melhorar
significativamente o desempenho, e que essas menores quantidades, que podem se
limitar a 90mg de cafeína, não têm nenhuma relação com efeitos colaterais
indesejados.
A cafeína e a necessidade de líquidos
Freqüentemente, dá-se demasiada ênfase ao efeito diurético da cafeína,
sobretudo nas situações em que a desidratação é um fator muito importante. Esta
circunstância afeta em particular as competições realizadas em climas quentes e
úmidos, onde o risco de desidratação é alto, e é mais significativa nos esportes
de resistência, em que o efeito da desidratação é maior sobre o desempenho dos
atletas.
Os atletas que competem nessas condições com freqüência são aconselhados a
ingerir mais líquidos, mas também são aconselhados a evitar chá e café, devido a
seu efeito ligeiramente diurético. Pesquisas atuais, contudo, demonstram que
esse efeito não só é insignificante durante os exercícios (Armstrong, 2002), mas
que os efeitos negativos causados pelo corte dessas bebidas da dieta podem ser
mais prejudiciais (Maughan e Griffin, 2003). As conclusões a que chegaram os
estudos publicados mostram que a ingestão de menos de 300 mg de cafeína por dia
não afetam os níveis de fluidos do corpo.
Conclusão
Muitos dos estudos realizados mostram que o desempenho melhora quando se ingere
cafeína ou se toma café, com o benefício adicional da redução correlata da
sensação de cansaço.
Em vista das diversas iniciativas de promoção das atividades físicas com o
objetivo de melhorar a saúde, tudo que incentive a participação pela redução do
desconforto e do cansaço que a maioria das pessoas sente ao fazer exercício tem
enormes implicações potenciais para a melhoria da saúde pública.
A cafeína, na forma de café ou como ingrediente puro, pode conseguir isso.
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